Quimera
E quando
à noite surgem outros vampiros
Num berro
espirro eclodem novos titâs
A lua na
janela em platonia
Na mira
da esfinge são coração
É preciso
mais que consciência
Há que se
ter coragem pra lutar
Já que a
vida não lhe faz justiça
Há que se
ter vontade pra mudar
A poesia
dança livre e salta numa quimera
A
fotosfera explode no seu olhar
A música
embala cada signo da terra
Quisera
em suas tranças viajar
BerimBrasil
Meu
berimbau tem som de flauta
De rara
beleza
Arame pau
pedra de metal
Barriga
vermelha
Viaja em
sete mil idiomas na cauda do cometa
Meu
berimbau é um homem sem pátria
Em noite
de lua cheia
Quando
anoitece tem cor de esperança
De manhã
incendeia
Onírico
Trouxe à
noite fosca a inquietude e o esplendor
Cai a lua
e lança santos raios de neon
sobre a
caveira agônica
Talvez
hoje eu seja o seu herói ou o seu algoz
Ou quem
sabe vague pelo espaço sideral
Num vôo
de querubim
Ventania
Folha
solta salta na poça funda
Imunda,
inunda
Ventania
Com
quantas falhas o símio raciocina?
Com
quantas frases o poema se formula?
Com
quantas doses a mente alucina?
Sina
minha...
Quantas
vozes é preciso pra fazer soar o som?
Quantos
mísseis são precisos pra fazer cortar o ar?
Com
quantas frustrações se forja um suicida?
Qualquer
resposta não basta...
Quantas
palavras insertas formam essa retórica?
Quantas
promessas vazias cabem na nossa esperança?
Quanta
lembrança ainda resta nesta cabeça?
Loucura lúcida
Assim que
o dia em dia abrir quero fazer tudo de novo
Assim que
o copo esvaziar quero beber tudo e um pouco mais
Um pouco
mais um pouco
Assim que
o corpo repousar quero calar o meu socorro
Assim que
o ponteiro parar quero correr o mundo todo
e um
pouco mais um pouco
Se me
despedaço é pra me recriar
Pois tudo
o que faço é pra me libertar
Do vício
da estupidez
Assim que
o grito estrangular quero perder a consciência
Assim que
o leite derramar quero da minha urgência de não falar...
O Óbvio
Lua na Janela
Lua na
janela gosto do pecado,
se não
tiver uma fresta em ti pra mim, então
morrerei
roubo teu
encanto , não caio em desespero
mas se as
arestas do teu corpo não me sustentarem, então morrerei
Finjo teu
enterro então me vejo nu
seco
minhas lágrimas neste céu azul, cru no meu desterro
Em tua
sombra descanso sob teu desejo me venço
qualquer
dia desses rompo a barreira do som, do senso, do tempo
pra tocar
em você
Torto
Depois de
inúmeras tentativas de conter as estranhas criaturas, a raça humana na sua
viagem alucinada ao centro do ego, consegue criar nos porões sombrios do
subconsciente a mais nova arma, cujo o poder de destruição revelará proporções
até então inimagináveis. O eco produzido pelo grito planetário atravessará o
universo de galáxias em galáxias numa velocidade muito além da percepção
humana.
Somente o
horror circula em suas veias
Nenhuma
poção magica faz seu sangue depurar
Já nasceu
torto de vísceras sórdidas
Um cão
raivoso à solta, em noite lunar
Visões
confusas inundam sua mente
Dementemente
procria seu golpe final
Bem lá no
fundo escuta-se um eco
só um
reflexo de sol no planeta
e o que
nos resta senão a esperança
de que um
dia ao inferno voltará
Eclipse
Descrevo
o universo em verso livre
Um sopro
difunde a energia cósmica
Da fome
do fraco ao riso do rico
Da
serenidade do sábio à angústia do aflito
Da febre
do ódio ao amor infinito
Da
inocência perdida no jardim das delícias
Noite
negra
neve
branca
O vento
voraz
no ventre
veloz
A vida
chama pra dançar na lama
Pro risco
dos dias
Eclípse
do mundo
Num
círculo de paz